quinta-feira, 7 de maio de 2009

Testemunho real (Japão)

“Em Novembro passado fui a Nihonbashi, Osaka, onde um amigo se ofereceu para me levar a um sítio “interessante”, cheio de raparigas.
Fomos a um pequeno beco, subimos as escadas de um edifício comercial e quando lá entrámos apercebi-me de que era um bordel cheio de raparigas chinesas!
A Mama-san (encarregue dos “negócios”) era chinesa, falava japonês com um sotaque estranho, e ordenou às raparigas que se alinhassem à minha frente. Oito raparigas vieram a correr e pareciam ter cerca de 20 ou pouco mais anos. A Mama-san disse-me que eu podia ter qualquer uma delas durante uma hora por 8000 JPY (cerca de 60€), e assegurou-me de que eu o podia fazer…mas na verdade é ilegal no Japão.
Simplesmente não fui capaz de ir em frente com isso. As raparigas estavam a sorrir, mas os seus olhos estavam cheios de tristeza, mágoa e humilhação. O lugar era escuro, sujo e estava atolado de gente.
O meu amigo disse-me que as raparigas nem sequer falavam japonês e que viviam todas dentro de um andar minúsculo. Se isto não é tráfico humano, não sei o que mais poderá ser.”

(Testemunho real, Novembro de 2008, Nihonbashi, Osaka, Japão)

Sabias que...?

Nos Séculos XVI e XVII os comerciantes portugueses e os seus companheiros asiáticos e africanos estavam por vezes envolvidos no tráfico de mulheres e jovens japonesas que levavam para Macau (antiga colónia portuguesa, agora pertence à República Popular da China) e para outras colónias portuguesas.

Campanha desenvolvida pela MTV Exit no combate ao Tráfico Humano


Junta-te à luta para acabar com o tráfico humano

Todos os dias, alguém é explorado pelo tráfico humano.
Todos os dias, os criminosos ganham fortunas com o sofrimento das suas vítimas.
Se te sentes revoltado com esta situação ou se foste afectado de alguma forma pelo tráfico humano, tu podes ajudar.

Queres algumas ideias sobre como podes ajudar?

Consciencializar – obtém material de divulgação junto de uma organização local de luta contra o tráfico humano e arranja os materiais da MTV EXIT (disponíveis gratuitamente; envia-nos uma mensagem com os detalhes). Usa esses materiais em eventos e distribui-os na tua cidade, escola, e/ ou no teu grupo de jovens, em eventos desportivos, discotecas, bares... informa simplesmente o pessoal. Forma um grupo com os teus amigos e pede-lhes ajuda. Envia este site para os teus amigos para que eles também se juntem a nós.

Angariação de fundos – podes fazê-lo em eventos organizados num bar, numa discoteca, etc. Cobra um pequeno valor à entrada e depois doa-o a uma organização local que ajude as vítimas de tráfico humano. Pensa por ti, sê criativo.
Entra em contacto com uma organização local e informa-te sobre o que o governo local e central está a fazer neste sentido. Vê como podes ajudar a mudar a situação no teu país.

Assistência às vítimas – isto é uma coisa difícil de fazer e pode requerer alguma formação, mas talvez tu possas ser voluntário como operador numa Linha de APOIO ou criar uma rede de apoio à inserção das vítimas de tráfico humano na sociedade.
Sê criativo – fala com os teus amigos, professores, etc. e apresenta as tuas próprias ideias sobre como combater o tráfico humano.

Sê criativo – fala com os teus amigos, professores, etc. e apresenta as tuas próprias ideias sobre como combater o tráfico humano.

www.mtvexit.org/

Tráfico humano é terceiro mercado criminoso do mundo

O tráfico mundial de pessoas, que inclui, em sua maioria, crianças e adolescentes, movimenta 12 milhões de dólares, o equivalente a R$ 36,468 milhões por ano. É, portanto, o terceiro mercado criminoso do mundo, sendo superado apenas pelos tráficos de armas e drogas. Esses números foram destacados pela deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), em debate ocorrido hoje sobre Tráfico Sexual de Crianças e Adolescentes.
A deputada coordena o congresso brasileiro do Grupo Parlamentar Inter-americano sobre População e Desenvolvimento, que promoveu o debate em parceria com a CPI Mista que investiga a exploração e o tráfico infanto-juvenil. O evento reuniu, no Espaço Cultural da Câmara, parlamentares europeus e latino-americanos.
O Grupo Inter-americano defende, junto aos países que o integram - Nicarágua, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, México, Venezuela e Costa Rica -, a inclusão de políticas públicas sobre o tema, campanhas de sensibilização, estímulo à denúncia, adequação das legislações nacionais às normas internacionais sobre o tema, compromissos de alocação de recursos económicos e a inclusão do tema nos currículos de formação de polícia, da Justiça, da saúde e da educação.
INTERACÇÃO
O principal objectivo é, a partir do encontro de hoje, ratificar os acordos internacionais que tratam do tema, mudar as legislações e articular acções de combate em diversos países. "Esse é o primeiro passo para a interacção entre parlamentares, a fim de se encontrar formas de combate à exploração infantil, que inclui tráfico, abuso sexual e prostituição", diz Laura Carneiro. A interacção também permitirá, segundo a parlamentar, o apoio dos parlamentares europeus e latino-americanos à CPI Mista brasileira no combate às rotas da exploração e do tráfico sexual. Para a deputada, ainda não há consciência da gravidade do assunto.
UM MILHÃO SÃO EXPLORADOS
A coordenadora da Frente Parlamentar Latino-Americana contra a Exploração Comercial das Crianças e dos Adolescentes, a deputada uruguaia Daisy Tourné, informou que a própria Organização Internacional do Trabalho (OIT) já denunciou que o tráfico de pessoas começa a comparar-se ao tráfico de drogas. Segundo ela, a cada ano cerca de um milhão de crianças são exploradas sexualmente no mundo, pelo tráfico, pelo abuso sexual, pela prostituição e pornografia infantil, "o que comprova a existência de uma indústria com o tráfico", lamenta.
A grande dificuldade da maioria dos países da América Latina, de acordo com a deputada uruguaia, é tipificar na legislação o crime de tráfico de seres humanos e o de exploração sexual.
Tourné informou ainda que 180 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalham em todo o mundo, nas piores condições. "120 milhões não frequentam escolas (a maioria meninas) e cerca de um milhão de crianças são exploradas sexualmente por ano", disse.
Ela afirma que nenhuma acção de combate terá realmente resultado se os países não atacarem a fome e a pobreza, que são os principais motivos que levam crianças e adolescentes a essa situação.

http://www.direito2.com.br/acam/2003/ago/7/trafico-humano-e-terceiro-mercado-criminoso-do-mundo

TRÍPLICE FRONTEIRA É FOCO DE TRÁFICO HUMANO

Cerca de 20 vítimas do tráfico humano, principalmente jovens e crianças destinados à exploração sexual, passam diariamente pela Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, e o problema precisa de uma resposta multinacional, segundo uma especialista.
A paraguaia Cynthia Bendlin, coordenadora regional da Organização Internacional para as Migrações (OIM, um órgão da ONU), disse que há cerca de 6.000 vítimas potenciais de abuso nessa zona fronteiriça.
“A vulnerabilidade da população a torna mais propensa a ser vítima do tráfico humano”, disse à Reuters a especialista, que recebeu nesta semana um prémio do Departamento de Estado dos EUA concedido anualmente a oito mulheres por seu activismo pelos direitos femininos.
O tráfico humano afecta principalmente mulheres de 18 a 24 anos, mas é cada vez maior o número de vítimas menores de idade. Normalmente, o aliciamento começa em zonas pobres e rurais do Paraguai, e as moças são enviadas para cidades turísticas da Tríplice Fronteira ou para Buenos Aires, segundo Bendlin.
“Essas mulheres ou meninas são captadas com promessas de trabalho, como é o caso do trabalho doméstico, para serem as chamadas ‘criaditas’, ou com promessas de fazer casting de modelos e serem levadas para Buenos Aires”, afirmou.
Segundo Bendlin, as vítimas sofrem estupros, têm os documentos retidos e ficam privadas de liberdade enquanto são exploradas e viajam até Buenos Aires ou outro destino final, que pode ser na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia.
Na Europa, os lugares que mais recebem as vítimas são a Espanha e o norte da Itália, disse a especialista. “Essa é uma situação global”, afirmou ela.
Só em Ciudad del Este (Paraguai), as organizações de ajuda atenderam cerca de 140 vítimas e seus familiares no ano passado, disse a activista.
O tráfico humano, segundo ela, é a terceira principal fonte de renda de organizações criminosas, movimentando mais de 36 bilhões de dólares por ano (fica atrás apenas do narcotráfico e do tráfico de armas).
Ela disse que melhorou nos últimos tempos a colaboração entre Brasil, Argentina e Paraguai, mas que ainda faltam nesses países leis contra a exploração humana e uma formação específica de juízes e promotores para combater o problema.
Para evitar que as vítimas caiam nas mãos dos exploradores, os governos precisariam investir mais em educação e criação de empregos, acrescentou ela. “As organizações de atendimento às vítimas estão pedindo que se trabalhe muito na prevenção, porque a recuperação dessas vítimas é uma tarefa sumamente difícil e (o tráfico) implica violações graves dos direitos básicos.”

http://www.diariopopular.com.br/16_03_08/p3601.html

BRASIL REDUZ TRÁFICO HUMANO, DIZEM EUA

O Brasil foi retirado da "lista de observação" na sétima edição do "Relatório de Tráfico Humano", levantamento anual do Departamento de Estado norte-americano. O país chegou a ser citado pela secretária Condoleezza Rice como um dos que realizaram "grandes melhorias" nesse sector.
O relatório é dividido em quatro categorias, crescentes conforme o esforço e os resultados obtidos pelos 105 países avaliados no combate ao tráfico humano. Na América Latina, além do Brasil, foram "promovidos" Belize, Bolívia, Jamaica e Peru; caíram para a condição de "observação" a Argentina e o México; Venezuela e Cuba, antagonistas políticos dos EUA, continuam na pior colocação.
Apesar da melhoria em relação a 2006, o trabalho escravo, o turismo sexual e a prostituição infantil ainda preocupam: "Cerca de 25 mil vítimas, a maioria de homens, são traficadas internamente para realizar trabalho forçado no campo, principalmente na Amazónia e no Mato Grosso". O texto estima em meio milhão o número de menores prostituídos. Um dos destaques do relatório são as denúncias de trabalho escravo na confecção do carvão usado na fabricação do ferro-gusa.
A Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça disse que não comentaria o relatório por se tratar de um documento feito unilateralmente.

http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/clipping/junho/brasil-reduz-trafico-humano-dizem-eua/

TRÁFICO HUMANO É NEGLIGENCIADO, DIZ ONU

Um relatório elaborado pelo Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) revela que a negligência policial e a recusa de alguns governos em reconhecer a gravidade da questão tornam o combate ao tráfico humano uma tarefa cada vez mais difícil.
Para ilustrar o problema, a ONU fez uma comparação com o combate ao narcotráfico e constatou que a maioria dos países dá prioridade a essa actividade, enquanto a luta contra o tráfico humano é negligenciada. Isso torna o problema cada vez mais grave em todo o mundo.
O estudo da ONU, baseado em dados fornecidos por 155 países, é considerado o primeiro relatório global sobre o tráfico humano assim como as medidas tomadas até agora para combatê-lo. Segundo o UNODC, as polícias em todo o mundo interceptam entre 10% e 20% da droga traficada ao redor do planeta - esse total chega a 46% no caso da cocaína proveniente da América Latina. Por outro lado, o relatório revela que, em 2006, foram resgatadas apenas 21.400 vítimas de tráfico humano, o que não chega a 1% das 2,5 milhões de pessoas vítimas desse crime.
"A opinião pública está acordando para a realidade da escravidão moderna, mas muitos governos ainda a negam. Há negligência até mesmo quando se trata de relatar ou mover processos contra casos de tráfico", disse António Maria Costa, director-executivo da agência. "Tememos que o problema esteja piorando, mas não podemos provar isso por falta de dados, que muitos governos estão obstruindo."
Mulheres e crianças são as principais vítimas dos traficantes de pessoas, indica o relatório, sendo que as primeiras são a maioria do total de escravos modernos. Cerca de 79% dos casos de tráfico humano envolvem a escravidão sexual e 18% abrangem trabalho forçado, casamentos à revelia e remoção de órgãos

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/trafico-humano-negligenciado-diz-onu-421240.shtml